sábado, 19 de fevereiro de 2011

alma calada;


Meus desejos se confundem, nesse baú de imensidão.
Teimo com os minutos que se apagam,
quero atrasos que me levam até você.
Fazer acontecer e rir aliviada.
Estou sonhando com a alma calada.
Se um dia faltar o tempo, peço pro futuro me acompanhar, mas agora só preciso da sua companhia.

Ana Morais

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

se recompõe;


Põe e se recompõe em mim.
Mata a sede, guarda meus segredos, acorda o teu coração com esse meu exagero ao te ver.
Lava essas crises que tomam conta quando sua ausência faz presença. Fico em paz com essas esperanças.
Ouço aquela música e não canso. É o que sobra quando a última angústia do dia me diz que não dar uma só linha entrelaçada. Qualquer sinal preciso, só pra salvar “nós dois”, já que não existe mais as “nossas bocas” nem o "nosso calor"

Ana Morais

estômago.

É como se eu tivesse aprendendo a andar novamente, seguindo, sem tocar nas frágeis lembranças, que se tornou um lugar proibido pra mim.
É como se eu não soubesse o certo, nem ao menos traduzir o que sinto.
É como se os espaços cada dia aumentassem mais.
Sei que não esqueci de rir, isso deve morar aqui dentro.
Fecho os olhos e a única coisa que me traz um sorriso é... Seu cheiro. Quando recordo as sensações, o som das asas de todas as borboletas que voavam no meu estômago percorre no ar. Permaneço num silêncio pra escutá-las.

Ana Morais

sábado, 12 de fevereiro de 2011

mesmo quieta.

Amanheci concentrada em um ponto final, encontrei algumas vírgulas, mas quero perder todas essas pausas. Durante alguns anos coloquei reticências no teu silêncio que me deixava tão vulnerável. Não finalizei nos dias, e hoje minha alegria se torna infeliz. Imagino sozinha, qualquer coisa que te faz lembrar, um vulto, pelo menos. E acho pouco. Bonito se torna quando vejo meu jeito de querer tanto, mesmo quieta. Mas a vida me chama pra outras vindas, o pouco que resta ainda dar para recriar novos "amores". Lutei na esperança de ver sua esquina bater com a minha.
Porém, olho agora como se fosse a última vez, o aperto me domina.
Vou colocar meu choro preso pra fora e compensar meu riso aflito.


Ana Morais

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

arrastadas;

Minhas horas andam tão cheias de esperas, arrastadas, cansadas.
Os choros não sabem mais por onde escorrer.
Meu olhar não tem sossego.
Me tranco, mas por algum tempo vejo que deixo passar mais um dia.
Sentindo a mesma falta, nessa rotina sem paz.

Caminho, me preservo tão minha, que não sobra espaços.
Ando sem permanecer num abraço, não consigo morada em outros braços.
E só penso multiplicar aquela alegria que senti.

Não caibo mais em mim, me dói tanto, em nunca me prender.
Preciso me lembrar, cair no teu pensar, no teu corpo...
Não posso ser miúda assim.
Me afogar, não mais, chega de tristezas sem fim.


Ana Morais

suas ondas;

Nesse instante, o mar que nos faz distantes, me mergulha entre suas ondas.
E os meus olhos de saudade, ficam cada vez mais longe, mais fora. Afastados.

Ana Morais

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

algumas gavetas.

Busco milagres diários. Daqueles que secam as lágrimas e retiram as perdas de perto. Às vezes fico de contra o vento na tentativa de não sentir o rosto molhar.
E nesses breves momentos, descubro esse medo de viver me arranhando.
O meu mundo está cheio de inundações e o tempo demora com a sua mão, faz durar tanto. Ainda me salvo com um riso que tento refazer. Me permito ver a lua, me distraio com uma chuva de verão e sinto a liberdade me aquecer o dia.
Aos poucos passos dados irei me encher de sabores modificados, mas antes preciso esvaziar algumas gavetas.

Ana Morais