Resta um fôlego entalado.
Resta a hora desmanchando os rabiscos.
Resta teu corpo desenhado com o meu.
Resta escrever sobre uma delicadeza de memória viva.
Resta o "não riso" afundando a sensatez.
Resta teus dedos escorregando nos fios do meu cabelo.
Resta essa falta dividida entre a esperança e as sobras.
Resta ainda o cheiro perfumando.
Resta o fechar dos olhos pra sentir.
Resta ainda o cheiro perfumando.
Resta o fechar dos olhos pra sentir.
Resta algumas medidas de fórmulas quase impossíveis.
Resta cansaço.
Resta cansaço.
Resta a luz da lua, onde eu te acho.
Resta uma profunda saudade e o vai e vem das ondas.
Resta as lacunas do "tão longe".
Resta aquilo que não foi e foi embora.
Resta esse inferno revestido em céu, céus de lembranças da pele calada.
Resta o sangrar reprimido.
Resta segredos escondidos.
Resta um ego queimado pelo calor do desejo.
Resta o difícil, o que é bem difícil de esquecer.
Resta fugir do que resta, partir e no final das contas,
apenas guardar no que se diz "eterno".
Resta aquilo que não foi e foi embora.
Resta esse inferno revestido em céu, céus de lembranças da pele calada.
Resta o sangrar reprimido.
Resta segredos escondidos.
Resta um ego queimado pelo calor do desejo.
Resta o difícil, o que é bem difícil de esquecer.
Resta fugir do que resta, partir e no final das contas,
apenas guardar no que se diz "eterno".
Ana Morais


