terça-feira, 2 de agosto de 2011

secou;

A fonte secou
só penso o que não
pode ser dito...
Afinal
o que escrever
quando a vida pede pressa
e o cesto da colheita
está vazio?
Se tudo o que
coloco no papel
não passa de uma alucinação
se o sinal fica fraco
a cada deleitar
se nenhum fruto foi apanhado
nem uma palavra
faz sentido
se a jornada se torna cansada
e estreita ao que imagino?

(Ana Morais)

6 comentários:

Sandrio cândido. disse...

Ana,
Uma leitura do que ocorre hoje em nossa sociedade, estamos tão apressados que esquecemos a dimensão poética da vida.
Abraços sempre

N. Barcelli disse...

Apesar dessa pressa da vida e do vazio das colheitas, vale a pena semear poesia... porque há sempre alguém que gosta do seu fruto.
Eu gostei do teu poema, é magnífico.
Bom resto de semana.
Beijo.

Yasmin D. disse...

sua escrita é divina, tem um dom de poucos e pra ser sincera a você... você me renova a cada leitura!!!
quero um livro seu e sua fonte nao secou, minha doce menina!!!

Celso Mendes disse...

Há momentos que o vazio se faz necessário e até essencial. Mergulhar no vazio pode parecer ruim, mas é lá que se encontram as palavras e a poesia. Tudo a seu tempo.

Muito bom o poema, Ana. Quem já não se sentiu assim?

beijo.

Luna Sanchez disse...

Calar e sentir, Ana. E chorar, claro, pra secar de vez.

Encantada, sempre, aqui.

Um beijo.

vanessa cony disse...

Pois basta apenas o aroma das águas pra fazer florescer fruto novo...
Permita-se receber da vida águas novas!