quinta-feira, 17 de março de 2011

Tão longe;



Resta um fôlego entalado.
Resta a hora desmanchando os rabiscos
Resta teu corpo desenhado com o meu.
Resta escrever sobre uma delicadeza de memória viva.
Resta o "não riso" afundando a sensatez.
Resta teus dedos escorregando nos fios do meu cabelo.
Resta essa falta dividida entre a esperança e as sobras.
Resta ainda o cheiro perfumando.
Resta o fechar dos olhos pra sentir. 
Resta algumas medidas de fórmulas quase impossíveis.
Resta cansaço.
Resta a luz da lua, onde eu te acho.
Resta uma profunda saudade e o vai e vem das ondas.
Resta as lacunas do "tão longe".
Resta aquilo que não foi e foi embora.
Resta esse inferno revestido em céu, céus de lembranças da pele calada.
Resta o sangrar reprimido.
Resta segredos escondidos.
Resta um ego queimado pelo calor do desejo.
Resta o difícil, o que é bem difícil de esquecer.
Resta fugir do que resta, partir e no final das contas,
apenas guardar no que se diz "eterno".

Ana Morais

11 comentários:

Celso Mendes disse...

quando a saudade chega a ser palpável, resta escrever um poema...

sentido na pele!

beijo.

Poeta da Colina disse...

Não dá para viver de sobras. Quem sabe de esperanças.

Etiene disse...

obrigada por ter visitado meu canto, vc escreve textos maravilhosos, estou seguindo, beijusss

Chris disse...

Hi Ana

Às vezes gostaríamos de poder dispor de todo o tempo ou até mesmo daquele que nos é proporcionado no dia a dia, nos momentos de lazer que vamos conseguindo. Mas sempre afazeres, obrigações a que a vida nos submete, nos retiram dos bocadinhos agradáveis que encontramos quando nos debruçamos nestes espaços da Net onde encontramos quem tem arte para nos proporcionar um texto com que nos edentifcamos.
Uns dias de ausência e eis que me encontro perante umas entradas que me dizem algo. Distinguir uma das outras não é fácil e por isso fixo o meu comentário neste poema que me diz bastante.
Efectivamente RESTA sempre qualquer coisa com que nos podemos identificar evidenciado por alguém que tem da vida um perfeito conhecimento e sabe transferir para o papel o que lhe vai na alma e o reparte com quem a lê.
E resta sempre qualquer coisa quer seja esse inferno revestido de céu quer seja a lua onde conseguimos ver a pessoa que gostaríamos de ter por perto.
Obrigada Ana por este momento onde por instantes me refugiei tentando esquecer a dureza da rotina.
Um bom fim de semana
Beijinho

Chris Morris

Anônimo disse...

vc eh fabulosa,bjus

iasmin999 disse...

me indentifiquei com esse texto!!
obrigado por colocar pra fora o que eu queria dizer,mais nao conseguia!!!!!
escritora maravilhosa vc eh :**

! Marcelo Cândido ! disse...

Para sempre alguma coisa fica ...!!!

Abraços
...

Hely ° disse...

Obrigada pela visita...sinta-se a
vontade pra seguir lá também, pois
eu estou seguindo aquii!!

Bjaum.*.*.

meninasegredos.blogspot.com

Milene Souto disse...

A saudade ás vezes é tudo o que nos resta... e como dói senti-la e como dói vive-la... Lindo poema, me identifiquei demais, beijos.

http://melodiaemversos.blogspot.com

A.S. disse...

Resta agradecer-te estes momentos deliciosos que me proporcionaste!...
Lindo o teu poema!


Beijos,
AL

Anônimo disse...

vc eh uma pessoa mt especial!!!