quarta-feira, 25 de maio de 2011

sequidão;

Dou pausa na mudez
sabe lá, o que me incomoda
se é a tua falta flácida ou
a ausência de palavra mórbida

acomodada
num azulejo qualquer
do chão frígido
engano as rotas das
águas do ralo que esgota

navego calada
sem rumo nem açoite
só com o temor
do demônio que me afronta
a meia-noite

tolerar a língua seca
é ficar muda
observando o pote
ou morrer de sede
mirando um bote

procuro meu guia
feito cão sardento
ando na sequidão
sem alento
(em plena solidão)

(Ana Morais)

14 comentários:

PauloSilva disse...

é falar sem dizer nada, é querer dizer e não encontrar um porquê, é ter sede e não conseguir beber.

adorei!

Carla Md. disse...

lindo, lindo.... perfeição para os olhos!!!
posso usar ele?

bjs poetisa

Emi disse...

Que perfeição. É tudo o que consigo dizer.
''navego calada
sem rumo nem açoite
só com o temor
do demônio que afronta
de frente a noite''

Beijos, poetisa. Teus posts são encantadores, sempre que puder estarei aqui para conferí-los.

Poeta da Colina disse...

Talvez no silêncio e solidão, não precise existir espera.

Erica Gaião disse...

Ana, minha querida Ana!

Sinto um forte encantamento pela sensibilidade e intensidade dos sentimentos que você traduz. Tolerar a língua seca é ficar muda, mas você jamais morrerá de sede porque tens nas palavras o alento que procuras.

Beijos, querida!

Nielson Alves disse...

Ana,
adorei seu poema, lindo,lindo,lindo.
beijos

Nielson Alves disse...

Ana,
adorei seu poema, lindo,lindo,lindo.
beijos

Anônimo disse...

PERFEIIIIIIIIIIIIIIITOO!!!
bjs

NANDA

Friends:Renata e Juliana disse...

Dessas solidões que não há escape!
*bjO!

Nara disse...

Simplesmente perfeito!!!

Parabéns!

Mero Esmero disse...

Conte com o fraterno abraço de um poeta para aquecê-la a alma. Nutra-se de esperança com um beijo cálido... não se cale... isso é tarefa da amplidão.

Celso Mendes disse...

Um poema que exprime o sentimento angustiante da solidão de forma muito contundente. Gostei muito, Ana!

beijo

Luara Q. disse...

Quanta intensidade!

João Bosco Maia disse...

Vagando nessas tantas ruas virtuais, encontrei tua porta de amante das Letras aberta - e entrei. Devo anunciar-me como um desses que diz "Oi, de casa! Trago aqui em minhas mãos a chave para dias melhores: escrevo e vendo livros!". Assim, venho te convidar para visitar o meu blog e conhecer as sinopses de meus romances, a forma de adquiri-los e, posteriormente, discuti-los. Três deles estão disponíveis inclusive para serem baixados “de grátis”, em formato PDF.
Um grande abraço literário,

João Bosco Maia