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terça-feira, 5 de julho de 2011
tecer;
tecer o miúdo esforço
me fez encher o quarto
do que hoje dói
lembrar o motivo
virou uma farpa cortante...
(Ana Morais)
tempo;
Num anoitecer
o tempo
veio me visitar
mostrei minha face
envelhecida e sem rumo
Logo, escrevi uma frase
ou qualquer coisa que me
viesse em mente
para me libertar,
ficar livre da sensação
de não saber mais me justificar
(para ele)
(Ana Morais)
sábado, 2 de julho de 2011
à deriva;
Se me tocar
Imagem: weheartit
sinto calor em
pleno inverno
Me faça de loba a noite inteira,
engravida-me de letras novas.
E no seu uivo
sopra o hálito quente
ou outro verso gosto de sáliva.
O segredo da chuva fina
é a reflexão feita
numa cama desarrumada
banhada de dois corpos
esparramados
à deriva do pensamento...
(Ah, a memória da derme
atravessa a linha do provocante)
(Ana Morais)
terça-feira, 28 de junho de 2011
na varanda,
me conservo tão longe,
Imagem: Fernando Manuel Gomes
furto um pôr-do-sol
e escuto o vento em suas rotas
falar com algumas folhas.
a prosa é livre como a brisa do mar,
voa verbo
enquanto eu respirar
pode continuar,
só assim desejo te tocar,
correr atrás é sonhar,
não sei bater asa ainda
mas a poesia me faz pairar...
(Ana Morais)
prenha;
a sina vive prenha de
segredos íntimos
a tempestade vestida
em uma renda preta
que enche as mãos
de cobiça
a pele mora na pressa
o flagelo escorre na fina
presença do ontem
e a promessa alinhada ao
ritmo do que vira areia
em um deserto.
(Ana Morais)
segunda-feira, 27 de junho de 2011
perdido;
Imagem: weheartit
Perdido é brigar com o que
não tem bússola
Desafiar a razão
brincar com o perdão
ofuscar a cabeça
e ser levada pelo coração
Perdido é o nosso jogo,
essa trajetória
de mais um engano do destino
Perdido é me perder
e ainda assim te querer.
(Ana Morais)
feitiço;
N
um momento cheio de aconchego, aconteço.
em alguns dias de silêncio, faço milagre.
pode ser no gosto da pele, no passar da língua
ou nas distrações do sabor da poesia,
que insiste em virar palavra
Num lugar que era nosso,
calo, experimento, ouço, toco e atiço
com todos os sentidos e até o sexto,
se for preciso.
Só pra não deixar morrer
o meu feitiço.
(Ana Morais)
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