terça-feira, 17 de maio de 2011

Virá;



Virá, em busca do fim da saudade, bem aqui, do outro lado da cidade, entre as curvas da serra. Virá, num vôo alvoroçado, preocupado em furar as nuvens da distância e alcançar seu chão, sua raiz. Virá, e será  o dia da chegada para alguns, mas para mim, partida e uma outra ida. Virá, com um corpo moído de cansaço, na espera de braços cheios de sossego. Virá, mas não pro meu abraço cheio de desejo. Virá, e não serei eu, que irei recebê-lo. Virá, só falta esse resto de Maio, e uma eternidade. Virá, e não trará o que levou na bagagem. Virá, e trará mais ausência. Virá, o que  tenho medo de encarar. Virá, o que não esqueço. Virá, e ponto final, com uma ponta de esperança, é claro.

Ana Morais

domingo, 15 de maio de 2011

“branco-amarelo”,

gotas de chuva, pele nua, cama vazia de ti  
acordei pesada não sei de qual cansaço,
ando pelo quarto frio e me aqueço com o pensar,
cabe imaginar detalhadamente o teu simples ato
de pousar tua cabeça no meu peito
ando por tantas ruas em descompasso
buscando escadas pra alcançar as alturas,
uma fase da lua, me distrair com o brilho
“branco-amarelo” intenso, quem sabe
ou talvez arranhar o céu com as unhas afiadas
ando dobrando as esquinas, sem me topar
com aqueles encontros “desesperados” de cobiça
ando somando desejos que almejo
dançando nessa solidão ausente de face e laço.
ando falando sobre línguas que desconheço,
segredos, medos, verbos, águas que correm,
loucuras, existência sem nome e apresentação.
ando largada dentro da roupa da poesia
infinita, perdida nesse corpo, no olhar
da pupila dilatada, que esconde
a cor verde e mal repara a esperança 
por trás dos raios "efeito camaleão"
entre as cortinas da janela aberta
a palavra já quer escapar, virar vento
antes que eu consiga terminar, 
elaborar, tocar. Lá se vai ela, flutuando feito pluma
então, volto a ANDAR, andar, andar...



Ana Morais

sábado, 14 de maio de 2011

sem;

Se não é pra ser
por que esse tal destino
brinca tanto assim?
a vida parece nem se quer
ter pena de mim
ou procura mesmo
esse evitado estopim
E por não saber traduzir
bem o meu latim
vou perdida pelas
andanças no jardim
lembrando daquele
querubim
olhando pro capim
e pensando sobre o
triste fim, desse jasmim
sem o seu serafim

(Ana Morais)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Vens;

Quando vens, a poesia brota
Quantas lembranças tenho
dos encontros naquelas portas
em noites de luar
sem ao menos apartar
o furtar daquele olhar.
Quando vens e me abraça
a hora não se acalma e passa.
Hoje levantei sem revelar
o que quer que eu ache graça
Pensando em despertar
o silêncio da desgraça.
Quando vens
a alegria é traçada,
Quando não vens
os pedaços da saudade
chega acumular
no enrolar do despertar.
Sinto esperar
a cada acordar
querendo navegar
no teu deitar
cheirar
beijar
sonhar
mirar
reconheço minha pressa em 
amar
amar-te.

(Ana Morais)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

me bastaria;

nunca acreditei no “para sempre”, até sinto estranheza ao enxergar o contramão do eterno, que se torna tão imenso aqui dentro. Nada de pouco eu quero, mas também, não peço castelos, reinos ou até mesmo, “The End Perfect”, o teu amor, as entregas, o mundo e uma vida longa, já me bastaria.

Ana Morais



     

"Diga que você me quer, porque eu te quero também"
                                 (Nando Reis)


recente;

anda bem complicado por aqui, admito.
correr pra onde não se pretende ir,
é morrer um pouco, perder os desejos
a cada tentativa errada.
me preservo, concluo minhas confusões
e vou mudando de querer... 
mas por mais que eu molhe os lábios
em outras bocas, não encontro aquele gosto.
por mais que, os rostos diferentes passem pelo meu,
não sinto aquela barba roçar no queixo.
por mais que, os olhos enxerguem
em mim um encanto, não me deixo guiar por
esses "novos" caminhos, que acho
insuficientemente reluzente.
o velho é sempre recente, presente.
E eu termino me perguntando: Será que terá um fim?



(Ana Morais)

sábado, 7 de maio de 2011

Re-experimento;



O sol desabou sobre a cama desarrumada, respiro fundo e provo a beleza do vigor que enche a minha retina.  Passarinhos a cantar, e eu a re-experimentar, acordar, ressurgir, desfalecer num riso enlouquecido de desatino. Brindo ao dia que vem depressa, me entrego a grandeza desse mar que sustenta o meu penar. Entre girassóis , caminho, com o corpo ardendo e uma rotina que muda,  toca, trocar de cor, se transforma. Os raios voltaram aparecer e a felicidade tenta reinar. O tom delicado da chuva,  me ajudou mesmo a lavar, a germinar a terra, a banhar os poros, a levar aqueles arrepios pra longe, deixando até um ar mais seguro aqui. Por vezes, feitiço parece, quando me vejo com um gosto corrosivo na boca, trazendo a brisa dos lábios proibidos. Ainda teu sabor padece no meu entardecer, ainda moro nos teus olhos, ainda seguro o meu coração e a tua mão. Não por muito tempo, eu sei. Porém não minto, nem omito.

Ana Morais