Virá, em busca do fim da saudade, bem aqui, do outro lado da cidade, entre as curvas da serra. Virá, num vôo alvoroçado, preocupado em furar as nuvens da distância e alcançar seu chão, sua raiz. Virá, e será o dia da chegada para alguns, mas para mim, partida e uma outra ida. Virá, com um corpo moído de cansaço, na espera de braços cheios de sossego. Virá, mas não pro meu abraço cheio de desejo. Virá, e não serei eu, que irei recebê-lo. Virá, só falta esse resto de Maio, e uma eternidade. Virá, e não trará o que levou na bagagem. Virá, e trará mais ausência. Virá, o que tenho medo de encarar. Virá, o que não esqueço. Virá, e ponto final, com uma ponta de esperança, é claro.
Ana Morais


